Uma tarde eu estava me preparando para ir ao teatro para mais uma de nossas apresentações lá no Grupo Ria e recebi um telefonema da Priscila Martoni da talk filmes me chamando para um teste de vídeo que serviria para uma seleção de atores para participar do clipe do NX zero.
Ela me explicou rapidamente sobre o clipe e sobre a mini série que seria a continuação do clipe. Achei a idéia fantástica e inovadora e de cara me empolguei muito para estar dentro.
Marcamos o teste para o dia seguinte quando fui me encontrar com o Laganaro e então depois de uma conversa bacana fizemos meu vídeo e o Laga se mostrou muito empolgado. Eu também claro.
Puxa vida, logo ele já me avisou que a banda tinha gostado também e que eu dei ao personagem a cara e espírito esperado por todos… Fiquei muito feliz, pois ali estava a confirmação que eu estaria dentro deste projeto inovador, divertido e com a Banda NX Zero que vem fazendo um trabalho surpreendente com sua música e estilo.
Pra mim foi uma honra!
Já começado o processo, reuniões aconteceram junto com os produtores e o diretor para o estudo do roteiro. Etapa fundamental no meu trabalho.
Como toda equipe estava recheada de profissionais interessados e muito competentes (sem querer puxar o saco), tudo aconteceu muito rápido e muito bem organizado – aliás esse é o principal adjetivo do Laga. Tive então que me empenhar também e junto do diretor que esteve próximo a todo o momento começamos as pesquisas e a fase de laboratório para meu personagem, o Carlos ( que no roteiro era uma cara meio “Chucro” mas não era feio). As circunstâncias propostas para o personagem estavam claras e se resumiam a um rapaz que viveu em uma cidade grande, mas por não ver sentido algum na metrópole movimentada, vai para o campo, no caso o litoral, morar junto da natureza e tirar todo seu sustento dela. Até seu emprego como guia eco turístico complementa seu lado “natureba”, assim meio riponga.
Mas o que mais me atraiu no Carlos foi seu estilo misterioso que não deixava claro se ele era um psicopata ou um simples cara do bem.
É, o papel era pequeno em aparições, mas o conteúdo psicológico que eu teria que evocar seria delirante. Um presentão.
Para entender seu psicológico o Laga me passou um filme – Retratos de uma Obsessão onde o personagem, representado por Robin Williams, encontra-se em um estado emocional em que mantêm o espectador em dúvida de seu potencial, tanto maquiavélico quanto bondoso.
Logo depois passamos para a fase complicada e divertida que o Laga sitou, a de fazer acontecer.
Apesar das minhas gravações serem no final, tive a oportunidade de acompanhar todo o processo de filmagem, o que me possibilitou entender bem o que estava sendo produzido e os objetivos que estavam sendo atingidos. Em poucas palavras entender o clipe, a personagem Júlia que foi representada pela Elisa Veeck, a historia sendo contada e com isso me preparar mais para a mini série.
Nesse momento não posso deixar de comentar como é gostoso trabalhar com pessoas engajadas e muito amigas. Um clima amigável que te traz mais segurança e isso vai refletir diretamente no seu trabalho.
Toda hora o Laga chegava perto e me trazia informações novas, coisas que ia surgindo durante a execução do clipe.
No meio das filmagens caiu um pé d’água, mas um temporal tão “marvado” que tiveram que parar, foi ai que eu tive a oportunidade de trocar uma idéia com os caras da banda, também com Marcelo Mansfield (um querido) e dar muita risada, falar de música e teatro, um rápido intercâmbio cultural, uma troca bacana. A arte é linda né, é comunicação pura e universal.
Bem, já com o clipe pronto e com os vídeos da Júlia gravados também, fomos para a locação em Paraty (chato né). Lá, sentamos novamente, revemos todos os vídeos, discutimos propostas e partimos para a fase em que o Carlos levava ela para casa e criava todo o suspense.
Tudo correu muito bem e se me perguntarem que parte eu mais gostei de fazer foi aquela cena que o Carlos grava um vídeo para a Júlia chupando uma laranja que diga-se de passagem estava cheia de caroços. O Carlos tinha que parecer seguro no que dizia e precisava de uma ação que ilustrasse um momento desencanado. Propus ao Laga, descasquei uma laranja e fizemos a cena meio no improviso. O acaso nos presenteia com cada possibilidade não é? E eu aproveitei para enganar o estômago… Eu estava com uma fome!!!
Já com todo o material captado e editado, tudo já era concreto, real. O clipe, a mini série… O resultado de todo o empenho foi fantástico. Eu fiquei muito feliz com todo o trabalho.

Com a mini série no ar, na internet, fiquei acompanhando os capítulos e comentários. Foi muito gratificante perceber que atingimos nossos objetivos. Os fãs se identificaram, acompanharam, ficaram em dúvida sobre o caracter do Carlos e com medo do “ Tiozinho” como foi carinhosamente chamado por todos.
Espero voltar a trabalhar com essa galera, estão todos de parabéns.
Fiquei muito orgulhoso, trabalhar com todos esses profissionais, artistas, tanto a banda, quanto os produtores, maquiadora, diretor, fotografo, assistentes, enfim toda equipe, foi Do balacobaco.


